
Com a alta do dólar e o recente aumento das exportações brasileiras, o preço do trigo no mercado nacional está em elevação e o consumidor deve ter que pagar mais por seus derivados.
A moeda americana subiu 13% nos últimos dois meses e pressiona o valor do cereal. A maior parte do trigo processado nos moinhos do Brasil é importada de países do Mercosul.
Aliado à alta do dólar, outro fator que pode influenciar os preços é a quantidade do estoque nacional. A indústria já cita aumento de 20% na farinha, usada para panificação e preparo de massas e biscoitos.
As lavouras, concentradas no Sul, vão diminuir de tamanho neste ano devido à opção de agricultores paranaenses pelo cultivo do milho no inverno. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a safra recue 10%. Os triticultores reclamam dos custos de produção.
O Rio Grande do Sul, que assumirá a liderança no cultivo do cereal, viu parte de sua última safra deixar o mercado interno por conta de um programa de exportações do governo federal. O presidente do sindicato gaúcho, José Antoniazzi, afirma que essa situação colabora para o aumento dos preços. “Estamos sentindo a escassez do produto. Com a intervenção governamental, ficou menos trigo em casa. A soma de fatores acaba dando esse aumento.”
Neste ano, o trigo exportado por meio do “prêmio de escoamento da produção”, uma modalidade de leilão, chegou a 1,2 milhão de toneladas, equivalente a 20% do total produzido no país. Em 2011, o total foi de 413 mil toneladas. Mesmo com queda das compras do trigo de fora até abril, a Conab prevê aumento das importações neste ano.
Para o conselheiro da Associação Brasileira da Indústria do Trigo e presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, não haverá escassez no mercado nacional.
Isso apesar de a Argentina também estar diminuindo a produção devido a disputas entre o governo e ruralistas. “Possivelmente virá mais trigo do Uruguai e do Paraguai”, afirma Pih.
Com informações Jornal do Commércio
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